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Assistente técnico em perícias: como preparar quesitos que ajudam a esclarecer os fatos

Em uma perícia trabalhista, as perguntas feitas ao perito orientam boa parte do trabalho técnico. Quesitos vagos geram respostas vagas. Veja como empresa, advogado e assistente técnico podem preparar perguntas objetivas, ligadas aos documentos de SST.

Publicado por Medicina do Trabalho 10 · 14/10/2026

Por que os quesitos merecem atenção

Quando um processo trabalhista discute adicional de insalubridade, periculosidade, acidente ou doença ocupacional, o juízo costuma nomear um perito para examinar as condições de trabalho. As partes podem apresentar quesitos, que são perguntas técnicas a serem respondidas no laudo, e podem indicar um assistente técnico para acompanhar a perícia.

Os quesitos funcionam como um roteiro adicional para o perito. Se forem genéricos, como "o ambiente era insalubre?", a resposta tende a ser igualmente genérica. Se forem específicos, ligados a funções, setores, períodos e documentos, ajudam a esclarecer os fatos de forma mais completa. Esse trabalho é técnico e jurídico ao mesmo tempo: o advogado define a estratégia e apresenta as perguntas; o assistente técnico traz o conhecimento de segurança e saúde no trabalho.

Para entender o papel do assistente técnico desde o início do processo, leia o artigo assistente técnico em perícia trabalhista.

Antes de escrever: o levantamento dos fatos

Bons quesitos nascem de um bom levantamento. Antes de redigir qualquer pergunta, a empresa e o assistente técnico precisam responder internamente a algumas questões:

  • Qual era a função do trabalhador e em quais setores ele atuava, mês a mês, se houve mudanças?
  • Quais riscos estavam identificados no PGR e nos documentos anteriores para essas funções?
  • Existem medições ambientais do período, como laudos de agentes físicos ou químicos?
  • Que medidas de proteção coletiva existiam e desde quando?
  • Há fichas de entrega de EPI assinadas, com certificado de aprovação e registro de treinamento?
  • O ambiente atual ainda é o mesmo do período discutido, ou houve reformas, troca de máquinas ou mudança de layout?

A última pergunta é especialmente importante. Se o setor mudou, a vistoria atual pode não refletir as condições de anos atrás, e isso precisa ser esclarecido no processo.

Exemplos de temas que costumam render bons quesitos

Os quesitos devem ser construídos caso a caso. Ainda assim, alguns temas aparecem com frequência em perícias de SST e servem de ponto de partida para a conversa entre advogado e assistente técnico:

TemaO que a pergunta busca esclarecer
Descrição da atividadeQuais tarefas o trabalhador executava, com que frequência e por quanto tempo
Método de avaliaçãoComo o agente foi avaliado, com que critério técnico e em que condições de operação
Período analisadoSe as condições verificadas na vistoria correspondem ao período do contrato
Medidas de controleQuais proteções coletivas existiam e se foram consideradas
Equipamentos de proteçãoSe o EPI fornecido era adequado ao agente, se houve treinamento e registro de entrega
Documentos da empresaSe PGR, PCMSO, LTCAT e laudos foram examinados e como foram considerados

Em casos de doença ocupacional, entram também perguntas sobre o histórico de exames do trabalhador, sempre tratadas com sigilo e dentro do que o advogado entender pertinente.

Erros comuns na preparação

  • Perguntas que já trazem a resposta: quesitos tendenciosos tendem a ser pouco úteis e podem ser indeferidos.
  • Excesso de perguntas sem foco: uma lista enorme dilui o que realmente importa no caso.
  • Desconexão com os documentos: perguntar sobre medidas de proteção sem ter registros que as comprovem.
  • Ignorar o período do contrato: discutir apenas as condições atuais quando o processo trata de anos anteriores.
  • Deixar para a última hora: o levantamento documental leva tempo, e os prazos do processo não esperam.
  • Esperar que os quesitos substituam a documentação: nenhuma pergunta compensa a falta de registros de SST ao longo do contrato.

Linha do tempo: o que a empresa faz em cada fase

A preparação para a perícia não acontece em um único momento. Ela acompanha o andamento do processo, e cada fase pede uma atitude diferente da empresa.

  1. Ao receber a citação: o jurídico informa o RH e a área de SST sobre o que está sendo discutido, e começa a busca dos documentos do período do contrato.
  2. Na definição da perícia: o advogado avalia a indicação de assistente técnico. Quanto mais cedo ele entra, mais tempo há para estudar o caso e sugerir quesitos.
  3. Na preparação dos quesitos: empresa, advogado e assistente técnico se reúnem para cruzar fatos e documentos e escolher as perguntas que realmente importam.
  4. Antes da diligência: a empresa confirma quem acompanhará a vistoria, separa os documentos que podem ser solicitados no local e orienta os responsáveis pelos setores a descrever as atividades com precisão.
  5. No dia da vistoria: o setor deve funcionar em condições normais. Mudar a rotina para "melhorar a impressão" é um erro, porque descaracteriza o ambiente avaliado.
  6. Após o laudo: o assistente técnico analisa o documento e o advogado decide, com base nessa análise, como se manifestar no processo.

Manter um responsável interno por esse fluxo evita que documentos se percam entre jurídico, RH e operação.

Depois da perícia: o papel do assistente técnico

Os quesitos são apenas uma parte do trabalho. O assistente técnico também acompanha a diligência, contribui com informações sobre processos e funções, analisa o laudo do perito e elabora seu parecer, concordando ou divergindo de forma fundamentada. Nesse parecer, ele verifica se os quesitos foram respondidos com clareza e se o método usado é coerente com o agente avaliado.

Às vezes, a análise mostra que a discussão tem fundamento técnico. Nesse caso, o assistente informa a empresa com transparência e orienta correções para o futuro. Esse é um ganho pouco lembrado: a perícia revela lacunas de gestão que podem ser corrigidas antes do próximo processo. Quando a dúvida não está em um processo, um parecer técnico de SST pode trazer essa análise de forma preventiva.

Como a MT10 apoia empresas e advogados

A MT10 atua como assistente técnico em perícias de SST, em conjunto com o advogado da parte: analisa os documentos, sugere quesitos técnicos, acompanha a diligência e elabora o parecer sobre o laudo. O compromisso é com a análise fundamentada em norma, método e evidência, sem promessa de resultado.

Fale pelo WhatsApp (62) 3661-0052 informando o tipo de perícia, a atividade da empresa e a fase do processo. Não envie dados pessoais sensíveis por mensagem. O atendimento é de segunda a sexta, das 7h30 às 17h, com agendamento, em Goiânia e região.

Perguntas frequentes

Dúvidas sobre quesitos em perícias trabalhistas

Quem apresenta os quesitos no processo?

Os quesitos são apresentados pelas partes, por meio de seus advogados, dentro das regras e prazos do processo. O assistente técnico contribui com o conteúdo técnico das perguntas.

O assistente técnico pode formular quesitos sozinho?

Ele sugere e fundamenta as perguntas técnicas, mas a estratégia e a apresentação no processo cabem ao advogado da parte. O trabalho é sempre feito em conjunto.

Quesitos bem feitos garantem um laudo favorável?

Não. Eles ajudam o perito a examinar os pontos técnicos relevantes, mas a conclusão do laudo e a decisão do juízo não podem ser previstas nem prometidas.

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